Sinto que estou ficando chato. Isto, velhaco, enferrujado, carente de senso de humor, insensível. Sinto que não escrevo como antes, algo entravou na minha escrita, estou previsível, meus textos insuportavelmente lógicos, minha poesia extremamente comum.
Sinto meus pensamentos atrofiados, minha capacidade de inventar temas, ultrapassada, nem ao menos minhas composições se salvam, até a música parece tão complexa, ao o aproximar do crepúsculo meu “talento” se dizima, em partes, sou homem fragmentado e retalhado pelo caos cotidiano, a cidade tem me feito mal, talvez seja este ar impuro, o transito, o barulho… Ou, talvez seja apenas eu mesmo, que permaneço sempre o mesmo, ao invés de renovar.
E busco insaciavelmente por renovo, anseio novidades, um assunto diferente, uma discussão inédita, cansei de ser repetitivo como a Sessão da Tarde, não há nada de novo no Novo Mundo, esta tal nova ordem mundial de longe parece outro velho conceito conspiratório, o sobe e desce da bolsa permanece na eterna degola, a desigualdade continua sendo uma questão social, os políticos ainda roubam, os homens traem, as mulheres mentem, e a humanidade ainda insiste em criar um método eficaz para o cataclismo global, em suma, nada há para se contar, tudo o que é, já foi, e tudo o que já foi outra vez há de vir.
Sabe, deve ser por isso que me sinto assim, como quem nada tem para dizer, pois parece que tudo o que disse, já foi dito por alguém, e que no fundo todo mundo sente o mesmo. É a nova face da mesmice, um novo conceito de reencarnação, no qual até o que no presente escrevemos é velho, tudo já foi escrito por alguém ou por nós mesmos em outra vida, tudo o que acabo de escrever já estava escrito, apenas vivo um momento de djavú literário, em mim não há talento, apenas psicográfico as lamurias e as repetições de outrem. Mas, se tal coisa for assim, qual a graça da vida? E a imprevisibilidade? E o acaso? Não, prefiro acreditar que uma novidade existe e que, infelizmente ainda não raiou que, há algo novo para ser feito e que, o livre-arbítrio continua sendo a base fundamental para a liberdade.
Há uma estória que ninguém nunca contou, há um livro que ninguém nunca leu, há uma poesia que ainda jamais foi escrita. Ainda há novidades, basta-nos inovar!


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